novo álbum

ao som dos planetas por Domenico Lancellotti

Esse é o primeiro disco do Alberto Continentino e, para nós que temos o privilégio de estar perto dessa musicalidade assustadora, é também o objeto sonoro mais esperado, mais celebrado.

 

Alberto tem um lance muito especial com o baixo e, se quisesse, poderia ser um daqueles chatos virtuosos das capas de revistas de instrumentos, mas ele é musical demais para isso.  

 

Conheci Albertaço um pouco antes da virada do século quando ele devia ter uns 14 anos e mal alcançava o topo do contrabaixo. Uma imagem dessas não se esquece facilmente.

 

Depois viramos parceiros de bandas, com os +2, Adriana Calcanhotto, Trio Elétrico, Os Ritmistas, Dadi e Zabelê. Viajamos muito, mas foram nas extensas turnês da Adriana que começamos a compôr juntos.

 

Geralmente ele vem com alguma melodia perdida no tempo, coisas que costumam remeter à canção norte-americana, aos musicais, ao cinema, a Mancini, Bacharach, mas também a Donato, Bonfá e Jobim. Música de maestro que vem com o arranjo de metais, coros, cordas e uma harmonia impecável.

 

Para este álbum contribuí com as letras de “O Náufrago”, “Ao som dos Planetas” e “Tudo”. Moreno Veloso pôs letra na canção “Tic Tac”, Mark Lambert e Vivian Miller fizeram uma letra em inglês para uma melodia que para mim é muito “Summer Day”.  

 

Aliás, este disco está cheio de luz. São vários e distintos sóis nesse discaço com produção impecável do Kassin. E que conta com uma banda incrível, imbatível, internacional, formada por Donatinho, Guilherme Monteiro, Stéphane San Juan, Marlon Sette, Altair Martins, Leo Gandelman, Arthur Dutra, Jorge Continentino, Mark Lambert, Kassin e eu.

 

A maior parte das canções são cantadas por Alberto em dueto com Vivian Miller, a ensolarada Biboh, sua mulher, que durante as gravações estava grávida do Ian, primeiro filho do casal.

 

Escutando o “Ao Som dos Planetas” temos a sensação de estar diante de um clássico, onde as composições, a performance dos músicos, a maneira com que o som foi captado, a mixagem, sequência das músicas, tudo está naturalmente de acordo e nada poderia ser diferente.

 

Tudo faz parte de uma cabeça inchada de sons, que desde cedo conviveu com música e que flerta maliciosamente com a nata da música européia e o swing da música negra.

 

É uma alegria ver surgir um álbum como este, assim livre, sem nenhum outro paralelo, com tal riqueza sonora, com timbres originais pouco utilizados, com o colorido das vozes masculina e feminina cantando em uníssono numa cadência de amor.

 

Trata-se de um objeto sonoro e luminoso, que quando toca faz bem a alma.

 

 

 

Domenico Lancellotti

Junho/2015